CAROLINA VELASQUEZ  PORTFÓLIO

P.F. NO INSTITUTO INHOTIM - ABRIL 19

P.F. NO INSTITUTO INHOTIM

Fui chamada a fazer essa formação no Educativo, logo depois de uma das barragens ter se rompido na cidade de Brumadinho. Muitos funcionários e públicos do Instituto Inhotim tiveram familiares falecidos nesse desastre/crime ambiental. Havia e ainda há necessidade da cura e do afeto serem levados a esta comunidade, no caso por meio da proposição artística P.F. que tem atuado em diversas comunidades em risco, estas tem seus relatos de familia recolhidos e resgatnado, trazendo à tona memórias do um e do todo.

Memórias estão submersas, escolhas foram feitas em nome da adaptação a um novo contexto, uma nova sociedade, são as situações produzidas pelo Colonialismo e o Neocolonialismo e os processos colonizatórios ( no passado ou recentes); O P.F. objetiva um processo de expansão da consciência sobre o corpo do participador, sua mente e ancestralidade.

A natureza performática do método em sua execução traz a sensação de celebrações coletivas realizadas em nossa história na AMérica Latina.

ATENDIMENTO COM O GRUPO DE ADOLESCENTES

DO PROGRAMA DO INSTITUTO INHOTIM

Fotografia: Willian Gomes

Na ultima etapa foram criados "Fabulosos", seres oníricos, resultantes do resgate ancestral dos autores; estas mácaras serão vestidas pelos participantes e usados junto aos públicos dentro de exercícios coletivos de respiração e aterramento.

(...) O objetivo da performance fabulosa é atingido quando o corpo-cotidiano é suspenso de suas obrigações sociais que servem aos ideais da produtividade, comportamento aprovado pela comunidade e movimentos corporais previsíveis, condicionados não somente pelo meio cultural e social, mas também pelo espaço em que este corpo cotidianamente há décadas se encontra.(...) (VELASQUEZ, 2019)

 

As formas dos Fabulosos são antropomorfas. Em geral, em uma metade lembram animais de poder e, na outra, corpos humanos.

Estes animais de poder têm origem na nomenclatura xamânica el doble, e são os animais correspondentes desses corpos no plano espiritual. No xamanismo andino, acredita-se que a pessoa vive em dois mundos: o espiritual e o material, como um estado de equilíbrio e aterramento chamado de Pachosofia.

Nas imagens pré-incaicas andinas, datadas em 300 a.C., encontramos formas antropomorfas onde homens e mulheres tinham acima de sua cabeça animais que lhes atribuíam força e poder para existir, tanto no campo material quanto no espiritual.