CAROLINA VELASQUEZ PERFORMANCES E PORTFÓLIO

 

XINGU

 

Das propostas que costumo fazer,tem sempre a diversão que ja é fruto de encontro entre mundos. Peguei o voal da minha mochila, chamei o meu filho fotografo e saímos correndo para o ponto de encontro entre familias e etnias, o lago sagrado da aldeia Ipavu.

Chamei as crianças com gestos e o pano em punhos, comecei a estender o pano sob a luz do por do sol que iniciava, os menores vieram correndo, curiosos ao ficar embaixo daquela cor - fogo e se entregavam aos poucos com pequenos gritos em meio a sorrisos! os maiores vieram correndo, tiveram o ímpeto de tocar, agarrar, enrolar-se e desenrolar-se e me enrolar, rs, no tecido que agora virava um elo material entre todos nós.

  Comecei a propor por meio de minha maneira de agir com o tecido, e repeti a partitura que costumo partir para realizar a performance, disse em voz alta dançando com o tecido: sinta o ar, pule com os braços para cima, deixa o tecido flutuar! muitas danças surgiram, circulares, cobras em zigue zague, mãos ao vento, pulos.

 

Convidei-os a  virar água, a virarem cobra e outros bichos, sempre com palavras, mas principalmente com gestos, muitas cobras e sons de cobras e outros monstros surgiram em cima e embaixo da agua e logo surgiram crianças maiores que começaram a nos pescar e a pescar peixes daquele lago mas coloridos pois a cor do tecido não é desse mundo e sim dos sonhos;

no final brincaram de cabo de força entre meninos e meninas e assim o mundo deles foi entrando no meu e criamos junto outro desdobramento de proposta, uma mistura de performance com brincadeira e vida, vida de pescar, sorrir, fazer amigos, criar bichos, dançar e nadar todos juntos.