CAROLINA VELASQUEZ PERFORMANCES E PORTFÓLIO

EXERCÍCIOS DE SUSPENSÃO E ATERRAMENTO

 

 

 

 

 

Performance Exercícios de suspensão e aterramento. Carolina Velasquez. Janeiro, 2015. 5´30.

Pesquisa das relações de entrada no mar.
Equilíbrio do volume do corpo no  encontro com as águas e  seus movimentos.
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Exercicios de suspensão e aterramento com crianças no Alto Xingu

2015 no Alto Xingu no ritual Kuarup, festival anual de reverencia os entes falecidos. Um momento delicado e profundo das familias xinguanas.

 

Tenho o costume de levar sempre alguma obra em potencial comigo por onde vou e para o Xingu levei um voal laranja crendo que combinaria com o por do sol e a lagoa sagrada. Sempre comigo meu filho e fiel fotógrafo Tumbao Castro.

 

Os dormitorios estavam cheios na aldeia, "cheios de brancos", acabei hospedada em uma oca com duas familias da etnia Kamaiurá, muito simpáticos e acolhedores, comemos beiju e peixe da parte deles e de nossa parte fizemos algumas comidas como macarrão, arroz, salada e bolachas com queijo e goiabada cascão. As criancinhas kamaiurá daquela casa, ou melhor oca, estavam sempre brincando e nos observando,isso me trouxe o desafio de não estar no Xingu como turista e observadora, mas como vivente e tive o desejo de interagir naquela sociedade, promover, como eles dizem, o " moitará", uma troca entre presentes, objetos de cotidiano ou, por que não, troca de pontos de vista sobre o mundo, valores, cultura e desejos.

 

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RELATO SOBRE A PERFORMANCE - BRINCADEIRA EXERCICIOS DE SUSPENSÃO E ATERRAMENTO

 

Das propostas que costumo fazer,tem sempre a diversão que ja é fruto de encontro entre mundos. Peguei o voal da minha mochila, chamei o meu filho fotografo e saímos correndo para o ponto de encontro entre familias e etnias, o lago sagrado da aldeia Ipavu.

 

Lá chegando, encontrei crianças de várias idades, que já vinham nos observando antes, trocando pequenas palavras, pequenos sorrisos e gestos, coisa que me deixava ansiosa para trocar, expor, mostrar, ouvir e deixar de virar turista convidado a olhar e ser olhado  de longe, sem coração.

 

Chamei as crianças com gestos e o pano em punhos, comecei a estender o pano sob a luz do por do sol que iniciava, os menores vieram correndo, curiosos ao ficar embaixo daquela cor - fogo e se entregavam aos poucos com pequenos gritos em meio a sorrisos! os maiores vieram correndo, tiveram o ímpeto de tocar, agarrar, enrolar-se e desenrolar-se e me enrolar, rs, no tecido que agora virava um elo material entre todos nós.

 

Comecei a propor por meio de minha maneira de agir com o tecido, e repeti a partitura que costumo partir para realizar a performance, disse em voz alta dançando com o tecido: sinta o ar, pule com os braços para cima, deixa o tecido flutuar! muitas danças surgiram, circulares, cobras em zigue zague, mãos ao vento, pulos.

 

Convidei-os a  virar água, a virarem cobra e outros bichos, sempre com palavras, mas principalmente com gestos, muitas cobras e sons de cobras e outros monstros surgiram em cima e embaixo da agua e logo surgiram crianças maiores que começaram a nos pescar e a pescar peixes daquele lago mas coloridos pois a cor do tecido não é desse mundo e sim dos sonhos; no final brincaram de cabo de força entre meninos e meninas e assim o mundo deles foi entrando no meu e criamos junto outro desdobramento de proposta, uma mistura de performance com brincadeira e vida, vida de pescar, sorrir, fazer amigos, criar bichos, dançar e nadar todos juntos.

 

 

 

 

 

 Tumbao Castro